07 janeiro 2016

Produção de veículos no Brasil cai 22,8% em 2015, diz Anfavea

Indústria automotiva do país tem a produção mais baixa desde 2006.
Saíram das fábricas instaladas no país 2.429.463 unidades


A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil encolheu 22,8% em 2015, em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (7) pela associação de fabricantes (Anfavea). No ano passado, saíram das fábricas instaladas no país 2.429.463 unidades, contra 3.146.386 em 2014.
Com o resultado ruim, a indústria automotiva do país volta a nível registrado em 2006 (2,4 milhões), afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Moan. O pico foi em 2013, com 3,71 milhões de unidades.
"A crise em 2015 não teve precedentes em termos de profundidade. As questões políticas acabaram contaminando a economia de uma forma bastante forte, diminuindo a confiança do consumidor e do empresário", disse Moan.
Empregos
No final de dezembro, as montadoras de veículos empregavam diretamente 129.776 trabalhadores, o que significa o fechamento de 10,2% dos postos, em relação aos 144.508 empregados no final de 2014. Em 2013, o setor empregava 157 mil.
Segundo Moan, cerca de 5,1 mil funcionários encerraram o ano afastados de suas funções devido a suspensão temporária dos contratos (lay-off), e outros 35,6 mil podem entrar noPlano de Proteção ao Emprego (PPE), proposto pelo governo federal.
Segmentos
A fabricação de carros, picapes, SUVs e furgões caiu menos que a média geral, que inclui caminhões e ônibus. Em 2015, foram produzidos 2.333.903 milhões de automóveis e comerciais leves - uma redução de 21,5% na comparação com os 2,97 milhões de 2014.
Já a produção de caminhões despencou 47,1%, para apenas 74.062 unidades em 2015. De acordo com a entidade, o nível de vendas voltou ao de 2003 e o de produção a 2002.
No segmento extrapesado, a queda chegou a 60%, segundo Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea.
As linhas de montagem de ônibus concluíram apenas 21.498 unidades, o que representa declínio de 34,7%, ante o ano anterior.
Vendas
O ritmo das linhas de montagem acompanhou os emplacamentos de veículos no país, que tiveram queda de 26,55% em 2015. Foi o 3º ano seguido de baixa e pior resultado de vendas desde 2007.
De acordo com a Anfavea, os licenciamentos de carros novos importados caíram 32,8%, índice superior ao dos novos nacionais, que foi de 25,2%.
Exportações
Se 2015 teve um ponto positivo foi o aumento das exportações, que cresceram 24,8%. De acordo com a entidade, saíram do país 416.955 unidades de carros, caminhões e ônibus. A aposta para 2016 também é o mercado externo, a partir de novos acordos firmados com ParaguaiColômbiaUruguai.
No entanto, em valores, as exportações caíram cerca de US$ 1 bilhão, para US$ 10,49 bilhões em 2015. De acordo com Moan, a queda do valor se deve a poucos veículos de alto valor exportados, como caminhões.
Renovação da frota
Diferentemente da Fenabrave, que reúne as distribuidoras de veículos, a Anfavea não acredita em uma definição a curto prazo sobre o projeto de renovação da frota, apresentado ao governo federal. A proposta foi feita por 19 instituições em dezembro.
A Anfavea já havia entregue um plano de renovação para caminhões há cerca de 1 ano e meio, mas ainda não teve resposta do governo. "Como sabíamos que o governo faria uma análise bastante profunda, decidimos incluir os veículos leves", afirmou Moan.
"Renovação da frota é um objetivo da nossa entidade há mais de 20 anos. A idade media é muito alta, principalmente de caminhões: 250 mil têm mais de 30 anos. É um desperdício de produtividade", completou o executivo.
07/01/2016 11h24 - Atualizado em 07/01/2016 13h58

Produção de veículos no Brasil cai 22,8% em 2015, diz Anfavea

Indústria automotiva do país tem a produção mais baixa desde 2006.
Saíram das fábricas instaladas no país 2.429.463 unidades

Luciana de OliveiraDo G1, em São Paulo
Funcionário monta um carro em fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, São Paulo. (Foto: Reuters)Funcionário monta um carro em fábrica da Volks em
São Bernardo do Campo, São Paulo (Foto: Reuters)
A produção de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus no Brasil encolheu 22,8% em 2015, em relação ao ano anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (7) pela associação de fabricantes (Anfavea). No ano passado, saíram das fábricas instaladas no país 2.429.463 unidades, contra 3.146.386 em 2014.
Com o resultado ruim, a indústria automotiva do país volta a nível registrado em 2006 (2,4 milhões), afirmou o presidente da Anfavea, Luiz Moan. O pico foi em 2013, com 3,71 milhões de unidades.
"A crise em 2015 não teve precedentes em termos de profundidade. As questões políticas acabaram contaminando a economia de uma forma bastante forte, diminuindo a confiança do consumidor e do empresário", disse Moan.
Produção de veículos no Brasil
Em milhões de unidades
2,352,42,823,053,073,383,413,43,713,142,4220052010201501234
Fonte: Anfavea
Empregos
No final de dezembro, as montadoras de veículos empregavam diretamente 129.776 trabalhadores, o que significa o fechamento de 10,2% dos postos, em relação aos 144.508 empregados no final de 2014. Em 2013, o setor empregava 157 mil.
Segundo Moan, cerca de 5,1 mil funcionários encerraram o ano afastados de suas funções devido a suspensão temporária dos contratos (lay-off), e outros 35,6 mil podem entrar noPlano de Proteção ao Emprego (PPE), proposto pelo governo federal.
Segmentos
A fabricação de carros, picapes, SUVs e furgões caiu menos que a média geral, que inclui caminhões e ônibus. Em 2015, foram produzidos 2.333.903 milhões de automóveis e comerciais leves - uma redução de 21,5% na comparação com os 2,97 milhões de 2014.
Já a produção de caminhões despencou 47,1%, para apenas 74.062 unidades em 2015. De acordo com a entidade, o nível de vendas voltou ao de 2003 e o de produção a 2002.
No segmento extrapesado, a queda chegou a 60%, segundo Luiz Carlos de Moraes, vice-presidente da Anfavea.
As linhas de montagem de ônibus concluíram apenas 21.498 unidades, o que representa declínio de 34,7%, ante o ano anterior.
Vendas
O ritmo das linhas de montagem acompanhou os emplacamentos de veículos no país, que tiveram queda de 26,55% em 2015. Foi o 3º ano seguido de baixa e pior resultado de vendas desde 2007.
De acordo com a Anfavea, os licenciamentos de carros novos importados caíram 32,8%, índice superior ao dos novos nacionais, que foi de 25,2%.
Exportações
Se 2015 teve um ponto positivo foi o aumento das exportações, que cresceram 24,8%. De acordo com a entidade, saíram do país 416.955 unidades de carros, caminhões e ônibus. A aposta para 2016 também é o mercado externo, a partir de novos acordos firmados com ParaguaiColômbiaUruguai.
No entanto, em valores, as exportações caíram cerca de US$ 1 bilhão, para US$ 10,49 bilhões em 2015. De acordo com Moan, a queda do valor se deve a poucos veículos de alto valor exportados, como caminhões.
Renovação da frota
Diferentemente da Fenabrave, que reúne as distribuidoras de veículos, a Anfavea não acredita em uma definição a curto prazo sobre o projeto de renovação da frota, apresentado ao governo federal. A proposta foi feita por 19 instituições em dezembro.
A Anfavea já havia entregue um plano de renovação para caminhões há cerca de 1 ano e meio, mas ainda não teve resposta do governo. "Como sabíamos que o governo faria uma análise bastante profunda, decidimos incluir os veículos leves", afirmou Moan.
"Renovação da frota é um objetivo da nossa entidade há mais de 20 anos. A idade media é muito alta, principalmente de caminhões: 250 mil têm mais de 30 anos. É um desperdício de produtividade", completou o executivo.
Expectativa para 2016
A Anfavea projeta um crescimento de 0,5% na produção nacional de veículos em 2016, mesmo com uma estimativa de nova queda dos licenciamentos, de 7,5%. As exportações devem aumentar 8,1%, segundo projeção da entidade.
Para chegar a este resultado, a entidade usou como base a previsão de queda de 3% do PIB e também a média diária de vendas do terceiro trimestre de 2015, que ficou em 9.425 unidades por dia. O presidente da Anfavea chamou essa média de "porão da crise", porque no 4ª trimestre a média subiu.

Petrobras e Vale voltam a cair após baterem mínima em mais de 10 anos

Tensão na China e queda do petróleo contagiam papéis das empresas.
Ibovespa em dólares também atingiu menor patamar em uma década.


turbulência nos mercados da Ásia e a queda no preço de commodities como o petróleocontagiaram as ações de duas das principais empresas da bolsa nesta quinta-feira (7). Petrobras e Vale operam em queda, após terem chegado ao menor valor em mais de uma década, informou aoG1 a provedora de informações financeiras Economatica.
Com forte peso no Ibovespa, a mineradora e a petroleira ajudaram a arrastar para baixo o principal índice de ações brasileiro. Na véspera, a bolsa recuou ao seu menor patamar desde março de 2009, aos 41.773 pontos.
Nesta quinta-feira, o Ibovespa opera em nova queda, afetado  por uma segunda suspensão nos negócios das bolsas chinesas nesta semana, após um recuo de mais de 7%. Veja a cotação
Em dólares, o Ibovespa terminou a quarta-feira no patamar mais baixo desde 26 de julho de 2005, aos 10.365 pontos, de acordo com a Economática.
A pontuação em dólares é usada como referência para os investidores estrangeiros, dividindo-se os pontos do índice em reais pela cotação do dólar ptax (taxa calculada pelo Banco Central).
O economista Einar Rivero, responsável pelo estudo da Economatica, explica que a forte alta do dólar frente ao real – a moeda norte-americana subiu quase 49% em 2015 – torna a desvalorização do Ibovespa mais aguda para os investidores estrangeiros.
Queda do petróleo afeta a Petrobras
No dia em que os preços do petróleo caíram ao menor valor em 11 anos, as ações preferenciais (com prioridade na distribuição de dividendos) da Petrobras perderam mais de 4% e fecharam a R$ 6,40 – o menor valor desde agosto de 2004, segundo a Economatica. As ações ordinárias também recuaram mais de 4%, a R$ 8,06.
Nesta quinta-feira (7), as perdas da estatal se repetem. Por volta das 14h15, Petrobras operava em queda nas preferenciais e ordinárias (com direito a voto), na esteira do forte declínio dos preços do petróleo, que fecharam abaixo de US$ 35 na véspera. Mais cedo, as ações recuavam cerca de 4%.
Petrobras no ano (Foto: REPRODUÇÃO/G1)Ações da Petrobras no último ano (Foto: REPRODUÇÃO/BM&FBovespa)
Um forte e inesperado aumento nos estoques de gasolina dos Estados Unidos reforçou o cenário negativo de excesso de oferta no mercado. Além disso, o anúncio de um teste de bomba de hidrogênio pela Coreia do Norte, aliadas a crescentes preocupações sobre a desaceleração da economia da China, impactaram o mercado.
Em dezembro do ano passado, a Opep não chegou a um acordo para reduzir a produção de petróleo, aumentando as preocupações diante do excesso de oferta. Fiel à posição adotada um ano antes, o cartel não somente decidiu manter seus atuais níveis de produção, como também não fixou uma meta precisa de produção.
Com a queda do Petróleo, a Petrobras sofre com a redução nas receitas de exploração e produção, agravando ainda mais a situação econômica da companhia, que enfrenta alto endividamento.
A queda do preço do petróleo no mercado internacional também diminui a rentabilidade dos projetos de exploração no pré-sal, que foram planejados levando em conta um preço mínimo do barril ao redor de US$ 45 para a produção poder ser considerada economicamente viável.

A notícia de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou indícios de que o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, participou de suposto esquema ilícito de compra de debêntures da OAS, segundo o "Estado de S. Paulo", também repercutia nas ações hoje.

Desaceleração da China contagia Vale
Na véspera, as ações preferenciais da Vale recuaram mais de 7% e fecharam a R$ 9,10, no menor valor desde junho de 2005, de acordo com a Economática. A preocupação com um crescimento menor da China tem afetado diretamente os papéis da empresa.
Ao crescer menos, a China passa a importar menos minério de ferro do Brasil e de outros países, já que precisa de menos insumos para a produção industrial. A commodity é o principal produto de exportação da Vale e o mercado chinês, seu maior comprador. A queda na demanda pelo minério de ferro no mundo faz seus preços caíram, afetando as ações da mineradora.
Nesta quinta, os papéis da empresa seguiam com perdas, depois que as negociações nas bolsas chinesas foram suspensas pela segunda vez na semana, ao caírem mais de 7%. A Vale perdia cerca de 4% nas preferenciais e 3,6% nas ordinárias, em meio às preocupações com a China.
Analistas do UBS cortaram o preço-alvo do ADR (recibo de ação negociado nos EUA) da mineradora de US$ 5,30 para US$ 3,40, mantendo recomendação "neutra", e citaram que nos atuais preços de commodities, o Ebitda da Vale estimado para 2016 pode não cobrir os compromissos de caixa de US$ 4 bilhões. A estimativa do Ebitda dá uma ideia do fluxo de caixa da companhia.

02 dezembro 2015

Estudantes bloqueiam vias na Zona Oeste de SP durante manifestação

Ato foi no cruzamento da Henrique Schaumann com Teodoro Sampaio.
Manifestação começou às 17h10 e terminou às 18h50 desta quarta-feira.


Uma manifestação de estudantes bloqueou totalmente, no início da noite desta quarta-feira (2), o sentido Sumaré do cruzamento das ruas Henrique Schaumann com Teodoro Sampaio, na Zona Oeste de São Paulo, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O bloqueio começou às 17h10 e o cruzamento foi liberado às 18h50. Os alunos protestaram contra a reestruturação da rede estadual de ensino.

Mais cedo, na manhã desta quarta-feira (2), quatro estudantes, dois deles menores e dois maiores de 18 anos, foram detidos durante outro ato contra a reorganização. O protesto foi na Avenida Doutor Arnaldo, próximo da Avenida Paulista. Antes, 20 alunos fizeram um ato na Avenida Giovanni Gronchi, na Zona Sul de São Paulo.
As quatro pessoas detidas na Avenida Doutor Arnaldo foram levadas para o 23º Distrito Policial, em Perdizes. Elas assinaram um termo circunstanciado e foram liberadas no fim da tarde.

Tumulto
A confusão começou quando policiais militares retiraram cadeiras utilizadas pelos estudantes para fechar o sentido Sumaré da Avenida Doutor Arnaldo. A via é considerada uma das mais importantes da cidade, pois liga a Zona Oeste à Avenida Paulista e fica na região do Hospital das Clínicas. Às 9h, o tráfego para os carros foi liberado.
O estudante Francisco Musatti Braga, de 16 anos, foi um dos quatro estudantes detidos - dois maiores e dois menores de 18 anos. "Me levaram à força, me algemaram, me botaram no camburão e tentaram usar bastante da violência", disse ele.
A ação dos policiais segue orientação dada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP). Ementrevista exclusiva ao G1 na terça, o secretário da Segurança, Alexandre de Moraes, disse que a Polícia Militar (PM) vai intervir sempre que for preciso para impedir que alunos bloqueiem as principais vias de São Paulo.
“Para resumir, bem resumido, a função da Secretaria da Segurança Pública e da polícia nesses acontecimentos é garantir que não haja dano ao patrimônio público. E não haja confusão, não haja briga entre quem queira assistir aula e quem não queira", disse Moraes. "E também nós não vamos permitir que fiquem agora obstruindo as vias principais de São Paulo."
Nove de Julho
A polícia liberou, na madrugada desta quarta-feira (2), os quatro detidos após manifestação de estudantes na Avenida Nove de Julho, próximo ao Viaduto Júlio de Mesquita Filho, no Centro de São Paulo. Na noite de terça, os alunos protestaram contra a reorganização da rede de ensino estadual e usaram cadeiras para bloquear os dois sentidos da via por mais de duas horas e meia. O ato terminou em confusão.
Às 21h, os policiais negociaram com os estudantes na tentativa de liberar a avenida. Não houve acordo e os PMs marcharam em direção aos cerca de 250 estudantes batendo com os cassetetes nos escudos.
Os policiais dispararam bombas de efeito moral contra o grupo de alunos. Houve correria. Sacos de lixo e outros objetos foram espalhados pelo asfalto. A confusão prejudicou o trânsito de ônibus, que ficaram parados no corredor da avenida em meio ao tumulto. Um dos veículos teve o vidro quebrado.
Um casal maior de idade e dois adolescentes de 15 e 17 anos foram levados para uma delegacia da região. Eles prestaram depoimento e, por volta das 3h desta quarta, foram liberados. O casal disse que não participava do ato.
Moradores da Nove de Julho, eles filmavam o protesto quando foram abordados pelos policiais. "Me jogaram no chão, começaram a me rasgar e me levaram para o camburão", disse a roteirista Tatiana Tavares. "Eu entendo que eles tenham que fazer o trabalho deles, mas eu acho que não é dessa forma truculenta, jogando a gente no camburão.”
Os dois menores saíram da delegacia acompanhados pelos pais. Eles disseram que foram abordados por policiais militares enquanto protestavam. “Eles bateram com o cassetete no meu braço, aí eu caí no chão e eles me arrastaram. Na hora que eu levantei para poder levarem para o camburão, colocaram o cassetete no meu pescoço e começaram a enforcar e levar”, disse um dos adolescentes.
Sobre a conduta dos policiais no fim do protesto, a Secretaria da Segurança Pública disse que a PM só agiu para evitar danos ao patrimônio público.
Intervenção policial na Marginal
Um outro protesto de estudantes fechou a pista local da Marginal Tietê, na altura da Ponte do Piqueri, na manhã desta terça-feira (1º) em São Paulo. A manifestação foi feita por alunos da Escola Estadual Professor Silvio Xavier Antunes, na Zona Norte da capital, ocupada contra a reorganização de ensino proposta pelo governo paulista.
O colégio vai fechar e vai ser disponibilizado para uso Centro Paula Souza ou fins educacionais da Prefeitura. Os manifestantes caminharam até a Marginal Tietê, carregando cadeiras usadas nas salas de aula e que foram usadas para fechar as pistas no sentido Ayrton Senna.
A Polícia Militar acompanhava a passeata e interveio quando houve o bloqueio sob a ponte, retirando os estudantes. Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que a corporação tentava "evitar o confronto entre motoristas que avançaram contra os manifestantes que bloqueavam a via".
Segundo a pasta, a PM usou uma bomba de efeito moral para dispersar a confusão. "Houve a necessidade de uso de força moderada para remover um adolescente que se recusava a deixar o local, mas que estava sendo ameaçado de agressão".
Bloqueio
A manifestação começou às 9h20 com ocupação de duas da direita da pista local da Marginal Tietê e terminou por volta das 11h10, com a liberação total da via. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a maior lentidão durante o protesto foi registrada no sentido Ayrton Senna, com 12,4 km de congestionamento nas pistas local, expressa e central.
Um outro grupo de alunos fez um protesto na manhã desta terça-feira na Avenida João Dias, na Zona Sul de São Paulo. Eles usam faixas e instrumento musical para protestar contra a reorganização escolar da rede de ensino paulista. Os manifestantes usavam mesas e cadeiras que representavam uma sala de aula durante o protesto.
Ocupações em escolas
Cerca de 190 escolas estavam ocupadas por alunos e manifestantes contrários à reestruturação do ensino estadual de São Paulo. O balanço foi divulgado nesta terça-feira pela Secretaria de Estado da Educação. O número é inferior ao apurado pelo Sindicato dos Professores (Apeoesp), que contabiliza 208 unidades paradas.
Nesta terça, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), publicou um decreto que autoriza a transferência de funcionários da Secretaria da Educação de uma escola para outra dentro do programa de reestruturação da rede estadual de ensino. A reorganização é motivo de protestos desde o dia 9 de novembro.
De acordo com o decreto, publicado no Diário Oficial do estado, a transferência vale para "casos em que as escolas da rede estadual deixarem de atender um ou mais segmentos, ou, quando passarem a atender novos segmentos".
Isso porque a reorganização da rede tem como um dos objetivos organizar as escolas por ciclos, segundo o governo de São Paulo, tentando concentrar alunos de uma mesma faixa etária nas escolas.
O decreto do governador Geraldo Alckmin não especifica o número de professores e funcionários de apoio que deverão ser transferidos. A Secretaria da Educação divulgou no início de novembro que 94 escolas seriam fechadas no processo de reestruturação.

11 novembro 2015

Governo declara emergência em saúde por casos de microcefalia

Houve aumento de casos de microcefalia, principalmente em Pernambuco.
Ministro anunciou estado de emergência em saúde pública em coletiva.


O Ministério da Saúde afirmou, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (11), que está investigando o aumento de casos de microcefalia no Nordeste. Trata-se de uma anomalia caracterizada por um crânio de tamanho menor que o a média. O ministro da saúde, Marcelo Castro, declarou estado de emergência em saúde pública por causa da situação. "Todas as hipóteses estão sendo avaliadas", disse o ministro.

O ministério foi acionado pela Secretaria de Estado da Saúde de Pernambuco, que observou o aumento drástico da anomalia nos últimos quatro meses. Foram identificados 141 casos em recém-nascidos em 44 municípios de Pernambuco este ano.
Segundo o ministro, a média de casos para o estado era de 10 por ano, o que representa um aumento incomum. "Estamos de fato em uma situação inusitada em termos de saúde pública", disse Castro. A situação tem sido acompanhada pelo Ministério desde o dia 22 de outubro.
Situação na PB e no RN está sendo investigada
Além da situação de Pernambuco, há relatos de profissionais de saúde sobre um possível aumento de casos de microcefalia na Paraíba e no Rio Grande do Norte, porém esse aumento ainda não foi documentado e o Ministério da Saúde investiga as ocorrências.
Segundo o ministério, o estado de emergência em saúde pública garante que os serviços de saúde tratem a questão da microcefalia com prioridade. A investigação das possíveis causas do aumento vai ser feita em conjunto por equipes do Ministério da Saúde e dos governos estaduais e municipais.
Hipótese de ligação com zika vírus
Sobre a hipótese que tem sido discutida pela comunidade médica, de que o aumento de casos de microcefalia poderia estar relacionado a infecções por zika vírus - vírus que foi identificado pela primeira vez no país em abril deste ano - os representantes do ministério afirmaram que ainda é precipitado atribuir o evento a essa causa.
vírus já foi confirmado em 14 estados brasileiros desde abril, segundo informação divulgada pelo Ministério da Saúde na semana passada durante seminário organizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.
Segundo documento divulgado pela Secretaria de Vigilância em Saúde da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SEVS/SES-PE), parte das mulheres que tiveram bebês com microcefalia apresentaram erupções na pele durante a gravidez. Apesar de este ser um dos sintomas do zika vírus, não há evidências suficientes para associá-lo à microcefalia, de acordo com o órgão.
De acordo com o ministério, entre os casos de microcefalia registrados recentemente, alguns são graves, no entanto ainda não é possível observar um padrão claro em relação ao grau de microcefalia mais frequente na situação atual.
Entenda o que é a microcefalia
Microcefalia é uma condição médica que se caracteriza por um crânio menor do que o tamanho médio, geralmente por causa de uma falha no desenvolvimento do cérebro. O problema pode estar associado a síndromes genéticas ou a outros fatores como abuso de álcool e drogas durante a gravidez ou a infecção da gestante por rubéola, catapora ou citomegalovirus.
Crianças que nascem com microcefalia podem ter o desenvolvimento cognitivo debilitado. Não há um tratamento definitivo capaz de fazer com que a cabeça cresça a um tamanho normal, mas há opções de tratamento capazes de diminuir o impacto associado com as deformidades.
Segundo o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e AVC dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (Ninds-NIH), algumas crianças acometidas pela anomalia podem ter algun nivel de incapacitação. Outras podem se desenvolver de forma similar a outras crianças e ter inteligência normal.

09 novembro 2015

Secretaria embarga atividades da Samarco em Mariana após acidente

Barragens de Fundão e Santarém se romperam na última quinta-feira (5). 
Empresa só tem permissão para voltar a operar quando reparar danos.


A Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais informou nesta segunda-feira (9) que todas as atividades da Samarco Mineradora na região de Bento Rodrigues, em Mariana, estão suspensas desde a última sexta-feira (6).
A empresa não poderá operar a mina de Germano, de onde extrai minério de ferro, até que repare todos os danos causados pelo rompimento de duas barragens na última quinta-feira (5).
Durante o período de embargo, a Samarco só poderá fazer ações emergenciais, que minimizem o impacto do rompimento e previna novos danos.
O rompimento causou uma enxurrada de lama que destruiu o distrito de Bento Rodrigues e, até o momento, foram registradas duas mortes. Vinte e cinco pessoas estão desaparecidas, entre funcionários da empresa e moradores da região.
Auxílio para famílias
No domingo (8), o Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) recomendou que a empresapague um salário mínimo por mês para cada família atingida na tragédia. Se a Samarco não cumprir a recomendação em cinco dias, o MP-MG vai recorrer à Justiça para obrigar a empresa a fazer o pagamento.
Mais de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos e água foram despejados sobre distritos de Marianacom a queda das barragens.
Bento Rodrigues foi o mais atingido, e os mais de 600 moradores foram retirados de suas casas. A onda de lama ainda atingiu outras comunidades, como Paracatu de Baixo e Camargos, e a cidade de Barra Longa.
Medidas de reparo
De acordo com a secretaria, a Samarco só poderá retormar as atividades após a apuração das causas do rompimento e a "adoção de medidas de reparo dos danos provocados".
No local onde opera a Samarco, ainda existe a barragem de Germano, a maior entre as três que compunham o sistema de rejeitos, que também corre risco de se romper. A Samarco já havia declarado que as atividades estavam paralisadas em todo o complexo industrial em Mariana.
Em Ubu, no litoral do Espírito Santo, onde a empresa tem a usina de pelotização de minério para exportação, as operações também serão suspensas assim que acabar o estoque de minério, informou a empresa.
Desastre ambiental
O governo e o Ministério Público já consideram o rompimento das barragens em Mariana como o maior desastre ambiental da história de Minas Gerais. A lama atingiu dezenas de cidades no Leste do estado. 
Uma nova previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) aponta que a lama deve chegar aoEspírito Santo pelo Rio Doce na madrugada desta terça-feira (10). Antes, estimava-se que isso ocorreria nesta tarde.
As cidades se preparam para a chegada da lama. Em Linhares, a foz do Rio Doce começou a ser aberta, na manhã desta segunda, no distrito de Regência. Além de Linhares, Baixo Guandu eColatina vão ser afetados.
A Samarco afirmou que está atenta a qualquer repercussão no Espírito Santo e em constante contato com as autoridades competentes em função do acidente ocorrido nas barragens em Minas Gerais. Diz ainda que está monitorando permanentemente a expansão da mancha de lama que avança no Rio Doce.